Novamente uma mesa imperdível na Socine. A reunião da Socine acontecerá este ano em São Paulo. Angeluccia, Miguel Pereira e Eu apresentamos a mesa o Sagrado no Cinema: Redenção. Continuaremos a desenvolver a problemática relativa ao sagrado e ao cinema, mas desta vez circunscrevemos para o tema da redenção, pois ele é apropriado e desenvolvido em diversos tipos de produção. Minha escolha de assunto segue abaixo:
“A Canção de Bernadete”: A redenção e a carne.
O tema da Redenção surge em diversas produções, desde os Filmes de Cristo onde o tema é trabalhado de forma mais direta até os enredos mais melodramáticos e mesmo cômicos. Pretendo abordar a forma como o o tema foi tratado no filme “A Canção de Bernadete” (King, 1943). Desenvolverei algumas noções sobre filme religioso, seguindo uma análise do filme sobre a vida de Bernadete Sobirou, discutindo a questão da redenção em dois sentidos distintos o sacrifício do corpo e o abandono do mundo.
Resumo expandido:
“A Canção de Bernadete”: A redenção e a carne.
Tendo em vista observar a influência do Cristianismo sobre o Cinema, quer seja pelas escolhas dos temas tratados no filmes, quer seja pela influência política e econômica dos produtores de origem religiosa, escolhi verificar como o tema teologal da Redenção é absorvido e interpretado numa produção americana.
Este tema surge em diversas produções ao longo da história do Cinema, sendo facilmente observado nos Filmes de Cristo, como “Da Manjedoura à Cruz (Sidney Olcott, 1912), “The King of Kings” (DeMille, 1927), etc, onde o tema é trabalhado de forma mais direta; e pode ser percebido até mesmo nos enredos mais melodramáticos e mesmo cômicos, como “A Vida de Brian”, “Amor Além da Vida”, “A.I. Inteligência Artificial”, “E.T.”, entre outros. Pretendo abordar a forma como o tema Redenção foi tratado no filme “A Canção de Bernadete” (King, 1943).
Para tanto desenvolverei algumas noções sobre filme religioso assunto pouco explorado até então (existe um gênero? Quais suas características?) e em seguida farei uma análise da leitura do filme sobre a vida de Bernadete Sobirou, discutindo a questão da redenção em dois sentidos distintos o sacrifício do corpo e o abandono do mundo, aqui os dois temas serão absorvidos na conhecida metáfora: a carne. Através da análise buscaremos resgatar essa produção, não apenas pelo seu valor artístico e histórico, mas pelos novos sentidos que uma leitura a partir do ponto de vista religioso, pode trazer à luz.
A Canção de Bernadette é um filme do conhecido diretor Henry King, um dos grandes realizadores de Hollywood, com produção de um não menos notável David O. Selznick. A estória se passa no século XIX, e trata da vida de Bernadette Soubirous, a jovem que teve uma visão da Virgem Maria em Lourdes, na França, em 1858. Retrata um momento bastante delicado, onde a Igreja Católica estava reafirmando seus dogmas e elaborando um novo, o da Imaculada Concepção. É no terreno do embate entre religião e ciência que a personagem Bernadette surge, e se torna para nós um ponto privilegiado de onde poderemos observar a discussão e seus reflexos na sociedade.
O filme trouxe o Oscar de melhor atriz, para Jeniffer Jonnes, e também levou os de fotografia, Arte e Música, em 1943. Sendo que a trilha sonora havia sido iniciada pelo conhecido compositor Igor Strawinsky, e foi reelaborada e concluída por Alfred Newman.O filme teve grande impacto na época e chegou a ganhar quatro Globos de Ouro, em 1944.
Bibliografia:
FLESHER, Paul V. M. e TORRY, Robert. Film & Religion. An Introduction. Nashville: Abingdon Press, 2007.
MARSH, Clive. Theology Goes to the Movies. An introduction to critical Christian Thinking. London/New York: Routledge, 2007.
MAY, John R. (ed). New Image of Religious Film. Franklin/Wisconsin: Sheed & Ward, 1997.
MITCHELL, Jolyon e PLATE, S. Brent. The Religion and Film Reader.New York/London: Routledge, 2007.
WALSH, Frank. Sin and Censorship – The Catholic Church and the Motion Picture Industry. New Haven and London: Yale University Press, 1996.
WRIGHT, Melanie J. Religion and Film – An Introduction. London/New York: I. B. Tauris, 2008. reimpressão da ed. De 2007.
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