Hoje tivemos o prazer de ministrar uma palestra para os alunos calouros de Cinema da Universidade Anhembi Morumbi. O assunto: Antissemitismo nos Filmes de Cristo. Apesar de ser algo bastante palpitante e delicado, em nosso país parece carecer um pouco de interesse. Afinal, dizemos que vivemos num país multirracial, multirreligioso e sem preconceitos. Sim, vivemos, não tão colorido quanto queremos que seja, mas infinitamente menos "agressivo" que outros países. Não obstante, cabe a nós não deixarmos que as futuras gerações ampliem preconceitos e discriminações de qualquer espécie. Acho o assunto - antissemitismo - bastante interessante, mesmo que ele não me toque particularmente. No entanto, o povo judeu sofreu - e ainda sofre - perseguição sistemática por tantos séculos que não custa ficarmos mais alguns séculos estabelecendo barreiras para que o preconceito e a perseguição não retornem jamais.
O filme Golgotha, de Julien Duvivier, de 1936, é um destes raros exemplos onde o antissemitismo é pernicioso, presente e destilado com muita sutileza, tão grande sutileza que passa praticamente incólume à críticas na História do Cinema. Trabalho de um cineasta consagrado, um dos três grandes do realismo poético francês, ao lado de Marcel Carné e Jean Renoir, o filme, mais do que uma peça deliberada de antissemitismo é o registro de uma época onde este assunto era caro ao povo francês. Nas palavras do intelectual Michel Marie, para este que vos escreve: Até os judeus eram antrissemitas na França da década de trinta.
Infelizmente essa afirmação não encerra e nem pode encerrar o assunto. Ainda falta um bom artigo que deixe à mostra as vísceras desta última propaganda antissemita que anda solta por aí. Com o tempo o artigo nascerá. Até!
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